• Victoria Ferreira

Violência doméstica durante a pandemia

O contexto de pandemia global, assim como qualquer outra crise, escancara os problemas e vulnerabilidades dentro da nossa sociedade. Esse é justamente o caso da violência doméstica, já que o aumento da convivência em casa, distanciamento ou falta de rede de apoio, dependência financeira, maior controle do agressor, aumento da tensão e dificuldade para acessar delegacias e serviços de atendimento social deixam mulheres mais expostas à esse tipo de violência.


Durante esse período a Justiça do Rio de Janeiro detectou um aumento de 50% nos casos de violência doméstica. Já no estado de São Paulo houve um salto de 19,8% nas denuncias entre o mês de março e abril, os dados foram apurados pela Folha de S Paulo através da Secretária de Segurança Pública.


A solução para o problema não está em acabar com o isolamento social, mas em pensar e fornecer estratégias de enfrentamento.



como reconhecer a violência?



A primeira barreira que uma mulher precisa ultrapassar para conseguir sair do ciclo de violência é justamente se reconhecer como vítima. O que se torna ainda mais díficil quando o abuso é normalizado nos relacionamentos de nossa sociedade e amor segue sendo sinônimo de posse.


Precisamos falar sobre como sentir medo, desconforto e insegurança perto de alguém não é normal, assim como sentir que precisa controlar seus passos e atitudes para evitar confusão. Aqui estão algumas ações que indicam relações abusivas, que podem desembocar em violência doméstica:

  • A pessoa decide as roupas que você usa, os lugares que você frequenta e as pessoas que você se relaciona

  • Afastamento de familiares e amigos

  • Te diz que ninguém além dele te amaria

  • Se sentir culpada por todos os problemas da relação

  • Gritos e xingamentos serem um costume

  • As coisas só estão bem se você age como ele acha que você deveria

  • Controla seu celular e meios de comunicação

  • Ele te ameaça quando você quer terminar a relação



Normalmente relações e/ou pessoas abusivas agem em um ciclo da violência, que se repete ao longo da relação: ela começa com a tensão (desconforto e sinaliza a violência), explode no ato de violência (que pode ser física ou não) e finaliza na lua de mel (perdão, culpa, presentes e promessas) - em momentos de crise, como o que estamos vivendo agora, esse ciclo pode ficar ainda mais intenso e o ato de violência se tornar ainda mais frequente.


Caso queira entender mais sobre o ciclo assista ao meu IGTV sobre o assunto.



Importante dizer que a Lei Maria da Penha não reconhece apenas a violência praticada pelo marido mas também pelo pai ou irmão, além de proteger crianças e adolescentes.

como ajudar uma mulher vítima de violência?


Facilmente nos sentimos de mãos atadas diante da violência, mas ser rede de apoio é parte essencial para quebrar o ciclo da violência.


Abordar o assunto:


Utilizar de casos famosos, conteúdos relevantes, filmes ou série pode ser uma forma de abordar o assunto - principalmente se a mulher ainda não tem consciência da violência.

Isso pode gerar identificação e fazer com que essa mulher se sinta menos sozinha, envergonhada e culpada pela violência que vive. Mostre que isso é mais comum do que ela pensa, que a culpa não é dela e que ela não precisa passar por isso.


Seja presente e ouça sem julgar


Lembre-se que você não pode decidir o que fazer, mas pode estar presente, apresentar opções e apoiar o que ela decidir. E isso pode sim acontecer virtualmente; conversar por aplicativos de jogos pode ser uma opção caso você saiba que a vítima é monitorada pelo agressor.


Informe sobre serviços de acolhimento


Fale sobre o canal 180 e como ele serve para dar todas as informações necessárias, inclusive indicando a Casa de Apoio mais próxima a ela.


Além disso, existem outros serviços que oferecem acolhimento físico e emocional através de profissionais voluntárias. Clicando aqui você encontra alguns deles.


A maior parte não faz ideia que esses serviços existem ou como eles podem ajudá-la, compartilhe as informações.


Em sinal de perigo, ligue 190

Se ouvir gritos ou qualquer outro sinal de violência, de uma conhecida ou não, ligue 190. Se estiver em dúvida se aquela mulher corre ou não perigo, ligue mesmo assim - é melhor errar por pedir ajuda.


Você pode combinar um sinal com sua amiga que mora longe de você, um certo emoji pode significar que precisa ligar e pedir uma viatura para a casa dela.


Para além de mulheres próximas também é possível fazer esse papel na vida de mulheres que fazem parte do nosso ciclo de convivência, como faculdade ou prédio. você pode colar ou enviar cartazes informativos que abram contato entre vocês e permita que essa mulher te procure caso precise.



Como buscar ajuda?

fonte: Juntas e Seguras e Cartilha Confinamento sem Violência


  • Aproveite possíveis saídas (ao trabalho ou mercado) para informar alguém sobre o que está acontecendo na sua casa.

  • Se no caminho de casa até o trabalho tiver alguma delegacia, aproveite o trajeto para fazer a denúncia e pedir auxílio.

  • Se você tem familiares ou amigas que possam te acolher procure se abrigar e de lá busque os serviços de apoio.

  • Deixe documentos, remédios e chaves guardados em um lugar seguro e de fácil acesso.


Caso você já tenha sofrido ou sofra violência doméstica lembre-se que a culpa não é sua, mesmo que pareça quase impossível existem formas de sair desse ciclo. Peça ajuda!

Ligue 190 em caso de emergência

Ligue 180 para denunciar e receber orientação

feminismo e bem-estar por Victoria Ferreira

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